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O monge e a sua espiritualidade


A origem etimológica da palavra monge coloca-nos num bom caminho para compreender o que é um monge e qual a sua espiritualidade. O termo monge deriva do grego mónos que significa só, único ou solitário. De fato, uma primeira nota do conceito de monge é a solidão. Todavia, não se trata de uma solidão qualquer. A vida monástica não é uma exclusividade do cristianismo, mas existiu e existe ainda em diversas culturas. O que permite identificar a existência do fenômeno monástico em meios tão diferentes como o judaísmo, o budismo, o hinduísmo e o cristianismo? Justamente a característica da solidão ou separação do mundo, unida a duas outras, uma polarização do ser para o absoluto e o uso de meios ascéticos, ou seja, por causa dessa busca de algo transcendente e absoluto, procura-se a solidão e lança-se mão dos meios ascéticos. A vida monástica pode ser de tipo eremítico ou cenobítico. No segundo tipo, a solidão é vivida dentro da vida comunitária, sendo resguardada pelo silêncio e os momentos em que se está a sós, o que permite pelo menos uma certa dimensão de solidão.
No caso específico do monaquismo cristão, a meta transcendente é o Cristo. Mais que isso, a vida monástica tem, como causa e modelo, o Cristo. Na tradição monástica do Ocidente cristão, o grande mestre da vida cenobítica foi São Bento que, em sua Regra, escrita na primeira metade do século VI, não deu uma definição de monge, mas, ao indicar o critério para admissão ao mosteiro, quase chegou a tanto. Para São Bento, pode ser monge aquele que busca verdadeiramente a Deus. Nada mais define o monge a não ser esta busca. Por isso os mosteiros, ainda que possam ter finalidade externas, não existem por causa delas (ensino, apostolado, obras de caridade ou cultura). O mosteiro é o lugar onde se busca a Deus e toda a vida fica organizada em função desta busca. Não se busca uma obra ou certos trabalhos, muito menos a si mesmo. Mas ainda para São Bento busca-se a Deus em Cristo que é não apenas a meta do monge, mas, também, o caminho a seguir, mediante sua imitação. Cristo conduz o monge com sua graça, com sua doutrina e seu exemplo de caridade perfeita. Por isso, o lema da Regra beneditina é “Nada antepor ao amor de Cristo”. Enfim, para o monge basta viver para Deus, amá-lo e servi-lo. Se for fiel a sua vocação amará também a todos os homens e os acolherá em sua oração e na oferta silenciosa e oculta de sua vida, mesmo que jamais saia do mosteiro ou realize obras externas.

Ir. Luis Alberto Ruas Santos

Abade Presidente

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