Os
cistercienses são herdeiros de uma da mais belas tradições espirituais da
Igreja. Pode-se mesmo falar de uma escola cisterciense de espiritualidade,
pois há um grupo notável de autores, sobretudo no século XII, com uma temática
de grande uniformidade. O maior nome é, sem dúvida, Bernardo de Claraval.
Qual a sua mensagem? Os cistercienses combinavam dois elementos da tradição
monástica: uma componente de vida eremítica – a solidão e o silêncio em que
viviam os monges para dedicar-se à oração – e a vida fraterna proposta pela
Regra de São Bento que, por sua vez, realiza o ideal da vida apostólica, ou
seja, a unanimidade de coração e alma da comunidade primitiva de Jerusalém
em torno dos Apóstolos, uma existência em que o amor de Deus transborda em
amor fraterno e comunhão. Dentro de um quadro de austeridades que compreendem
não só o afastamento do mundo (porém não um desinteresse pelo mundo em suas
carências e aflições), mas também o despojamento da pobreza e da simplicidade,
um regime alimentar sóbrio e a fecunda monotonia do trabalho manual, unidas
a um intenso ritmo de oração (comunitária – o ofício divino recitado em coro
– e individual) e a lectio divina (leitura meditada que leva à oração, sobretudo
usando a Sagrada Escritura), o monge deveria encontrar a Deus. De fato, os
cistercienses encontravam-se com Deus em Cristo e seus escritos falam abundantemente
deste encontro de amor. O claustro é, então, nesta perspectiva, um paraíso,
porque é o lugar em que o homem reencontra sua harmonia, perdida pelo pecado
e o afastamento de Deus. No claustro, o homem está a sós com Deus e pode viver
a perfeição da caridade, também nas relações fraternas. Não é ocasional o
fato de os cistercienses terem sido doutores da amizade espiritual. Por tudo
isso, os mosteiros cistercienses tornaram-se um sinal eloqüente do absoluto
de Deus que merece a consagração total da vida humana na profissão monástica.
Ainda
hoje os mosteiros cistercienses desejam viver e transmitir essa herança, apresentando-se
como centros de irradiação no ambiente em que estão implantados. Ao longo
do tempo, os monges assumiram encargos diversos na Igreja. Assim, nem todos
os mosteiros da Ordem exercem o mesmo tipo de atividades. Há os que se dedicam
a certas obras de apostolado externo, como a pastoral paroquial e a educação
da juventude, outros acolhem grupos para retiros espirituais ou entregam-se
exclusivamente à vida contemplativa, fazendo desta sua principal forma de
expressão da caridade cristã. Seja como for, os mosteiros cistercienses querem
dar testemunho de uma existência sobrenatural, em que Deus é buscado em primeiro
lugar e tudo se ordena em função desta busca. Mediante sua intercessão e sua
irradiação, os monges querem levar todos os homens a participar de sua vocação.